Quarta-feira, 22 de Novembro de 2006

Objectos de escrita, vulgo canetas - parte 2

A perfeição só voltou a meio do curso quando comprei um caneta Rotring Rive, ainda consegui descobrir uma numa papelaria perdida em Odivelas, daquelas que a gente entra e está cheia de coisas antigas nas prateleiras, dossiers com anos amontoados no cimo dos armários, livros que parece que nunca ninguém abriu...

É uma caneta diferente de todas as outras que eu já vi, com um aspecto fantástico e mirabolante - preta, cilindrica, o corpo cheio de covinhas como as bolas de golfe, sempre pronta a rebolar em cima da mesa a caminho do chão. Quem no seu perfeito juizo se lembraria de criar uma caneta com este aspecto? E no entanto, assenta perfeitamente na minha mão, é proporcionada, o peso adequado, o aparo de aço caracteristico da Rotring, rijo mas escorregadio, sem dificuldades em fazer fluir a tinta, não me canso de escrever com ela. Quando me distraio até costumo encaixar o dedo na tampa e fico como que com uma unha à feiticeira dos filmes de fantasia. O pior é que depois também fico com o dedo sujo de tinta...

No meu top de canetas que possuo, está em primeiro lugar, é mesmo um sonho. E um sonho acessivel, baratinho. Isto até ter sido retirada do mercado, o que aconteceu passado pouco tempo, para nunca mais voltar.

Anos mais tarde, fiquei com medo de a perder, de se partir, de se estragar e iniciei uma procura por um segundo exemplar - procura não muito intensiva, mas que ainda assim durou uns anos. Nas papelarias e lojas de canetas por onde passava era impossivel encontrá-la. Quando viajava, se passava num centro comercial ou num armazém com canetas, ainda deitava um olho a ver se a via, mas sem sorte. Com a descoberta do ebay, fiz algumas procuras nos leilões, mas não estava fácil, havia muito poucos e não enviavam para Portugal. Até que finalmente fez-se luz! Quando e onde menos esperava.

Estava eu um dia no Tagus Park à porta da tabacaria à espera do Rui, já estava lá à uns minutos quando olho para a montra e após uns segundos como que se materializaram à minha frente. Um expositor que tinha umas 4 ou 5 Rotring Rive no meio de outras tantas canetas de outra marca. Apesar de na altura passar por lá quase diariamente, nunca as tinha visto antes, foi como que um milagre. Fiquei logo em pulgas, saltei para dentro da loja e já não descansei enquanto não me venderam todas elas. Umas eram rollerball e as outras era de aparo. Na pressa, não reparei mas um dos aparos estava dobrado, e as rollerball nem tinham cargas. Nunca escrevi com elas, mas o medo passou-me. Continuei sempre e continuo a usar a original. Sem medos.

Acho que o meu único medo, o momento que me deixa sempre apreensivo, surge quando...
publicado por vmlf às 16:16
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7 comentários:
De anatcat a 22 de Novembro de 2006 às 16:56
É linda a tua número 1.
Está linda a parte 2.
;)
Mas o mais lindo é ver-te superar os teus medos.
(e como eu sei que ás vezes é muito difícil enfrentar e superar medos)
Bjs
De vmlf a 22 de Novembro de 2006 às 17:08
Obrigado, eu também fico contente de me superar, de me transfigurar - deve ser o mesmo com as outras pessoas.

Ainda não consegui totalmente com o medo a revelar na parte 3, mas isso fica para outro dia... (só para deixar o suspense no ar e o leitor agarrado)
De jorge a 22 de Novembro de 2006 às 23:16
eu também gostei da parte dois, só não gostei da forma como acabou. :)
estás mesmo com medo de perder os leitores a fazer um suspense assim desta maneira tão brutal, não podias ter acabado ao menos a frase? :)

vmlf2: aproveito aqui para explicar a história da colher, era uma referencia ao matrix e à cena em que ele entra na sala de espera do oraculo e está aquele miudo a dobrar colheres.

anatcat: o que achaste do terraestranha? podem comentar como anónimos e terminar o comentário com o vosso nick daqui para eu vos conhecer.
De jorge a 22 de Novembro de 2006 às 23:21
vmlf2: não estava a encontrar o blog porque estava à procura de catedraiscomescombros :)
De anatcat a 23 de Novembro de 2006 às 10:31
com escombros? com escombros?
menino Jorge vamos lá a ter juízo...
o Terra Estranha é mesmo o que o próprio nome indíca, mas é uma delícia andar por lá...
E sim vou comentar...
De vmlf a 23 de Novembro de 2006 às 08:07
Tem graça, que quando vi o filme também achei que estava de alguma forma relacionado com o universo do Matrix, mas não me lembrei da cena da colher.

Quando não existir uma frase por acabar significa que acabaram as partes desta saga :)
De Rui a 23 de Novembro de 2006 às 11:22
Bem este blog está a ficar com uma rodagem que não é brincadeira. Já perdi o fio à meada e já há coisas que nem percebo bem do que se está a falar.

Mas bom acho que claramente o nosso novo comentador veio dar um novo animo ao blog.

Quanto à novela do jovem vmlf pois que a partir de agora eu praticamente já conheço quase todas as histórias e lembro-me bem da euforia dele quando encontrou as tais canetas mágicas da roting no Tagus Park.

Mas deixo aqui um pedido para que haja pelo menos uma pequena referência em episódios futuros a uma caneta altamente que é do Ayrton Senna.

keep on writing ...

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