Domingo, 26 de Novembro de 2006

Objectos de escrita, vulgo canetas - parte 3

Acho que o meu único medo, o momento que me deixa sempre apreensivo, surge quando alguém diz "Posso?" e automaticamente apodera-se da minha caneta. Às vezes nem me dão tempo de dizer que não, não podem. De explicar essa regra sagrada das canetas de aparo: não se emprestam a ninguém.

Não sei de onde vem esta regra, mas provavelmente a melhor explicação será um dos pequenos pormenores que fazem a diferença entre estas canetas e as esferográficas - é que elas adaptam-se a nós. Ao longo do tempo, o seu aparo vai sendo moldado pela forma como escrevemos ao ponto de por vezes outras pessoas nem conseguirem tirar um pingo de tinta quando tentam escrever com elas - e depois resmungam, que não escrevem e etc.

Este medo já vem de longe, quase do inicio do tempo em que comecei a escrever com elas. Estava a meio do meu curso, no 3º ano se não me engano, e tinhamos um professor que nos marcou para o resto da vida, ainda hoje está patente na nossa vida, pelo menos na forma de falar - foi ele a origem do tão famoso "jovem", com que eu e o Rui nos chamamos um ao outro e que presenteamos às pessoas que vão entrando na nossa vida.

Nós também lhe demos uma coisa, fruto dos seus anos de juventude com que começou a dar-nos aulas - uma alcunha - o "Franjinhas", elogio ao seu longo cabelo, algo anormal num professor para a altura. Mas nem isso durou muito porque no ano a seguir lá adoptou um corte mais "respeitavel".

Mas estava eu a dizer, a mim deu-me mais qualquer coisa, deu-me este vicio de não emprestar as canetas. Antes dele não conhecia a regra, foi à custa de ele a repetir tanta vez que aprendi que não se emprestam as canetas permanentes.

E depois virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Às tantas numa aula ele pede-me a caneta emprestada e eu com esta carinha singela de calma que tento fazer, mesmo quando estou aos saltos cá dentro, digo-lhe que não, não pode ser. Foi a risota geral do resto da turma - eramos poucos, mas bons.



No entanto, a necessidade de recusar o favor provoca em mim um sentimento de culpa, de vergonha, e é por isso que resolvi o assunto de uma forma simples. Já tinha uma Parker Sonnet verde que me foi oferecida pelos anos, e resolvi comprar a esferográfica do conjunto pelo Natal, de modo a poder declinar delicadamente o empréstimo da minha caneta permanente, mas logo de seguida retirar do bolso uma outra caneta que, essa sim, podia ser dispensada por momentos.



E assim, lá ando eu nesta vida quase sempre com duas canetas atrás - uma a pensar em mim, outra a pensar no outros.


Mudando de assunto para continuar a falar do mesmo, os Italianos têm um problema...
sinto-me: dentes de coelho
publicado por vmlf às 12:26
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4 comentários:
De anatcat a 27 de Novembro de 2006 às 12:14
vmfl2:
estás mesmo em grande, superar medos, fazer opções determinadas, arranjar soluções para ultrapassar contrariedades.
bjs
ps: e ficam-te bem esses dentinhos de coelho ;)
De Rui a 27 de Novembro de 2006 às 14:08
Pois que é verdade sim senhor e eu sou testemunha disso.

Até já safei o nosso jovem vmlf de um ou dois apertos com as canetas.

Umas vezes porque ele não estava por perto outras por ele ficar tão em panico quando alguem agarra uma das suas canetas para escrever. E lá me apresso eu a dizer: "Se tens amor à vida aconselho-te do fundo da alma a largar imediatamente essa caneta". E pronto passado o panico lá saca ele da esferográfica para então essa sim ser emprestada. Por acaso já há algum tempo que não acontece mas não deixava de me divertir, quando a malta olhava para nós dos estilo "Estes gajos são psicopatas alucinados"...

:-)

E eu também acho que os italianos têm um problema, as Italianas...

;-)
De anatcat a 27 de Novembro de 2006 às 14:13
rui:
eu também prefiro o meu café "roma" cheio ;) LOL
bjs
De jorge a 28 de Novembro de 2006 às 14:12
esta estava boa, venha lá outra italiana. :)

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